A NOITE NÃO ADORMECERÁ JAMAIS NOS NOSSOS OLHOS

Nacional TROVOA

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A Baró tem o prazer de convidar à primeira exposição do Nacional Trovoa na galeria – A noite não adormecerá jamais nos nossos olhos, com curadoria de Carollina Lauriano.
Com obras de Aline Motta, Bruna Amaro, Caroline Ricca Lee, Gabriela Monteiro, Heloisa Hariadne, Igi Ayedun, Juliana Santos, Lidia Lisboa, Luiza de Alexandre, Lyz Parayzo, Mariana Rodrigues, Micaela Cyrino, Monica Ventura, Rebeca Ramos, Renata Felinto, Sheila Ayo, Val Souza e Yaminah Garcia a exposição reúne um conjunto de pinturas, fotografias, assemblages, site-specific, performances e instalações – algumas inéditas, pensadas para a mostra -, e deriva da convocatória nacional proposta pelo coletivo de mulheres artistas Trovoa. “A noite não adormecerá jamais nos olhos nossos” surge da necessidade de discutir a pluralidade de linguagens, mídias e pesquisas que estão sendo produzidas por mulheres racializadas pelo país. A mostra é composta por obras que foram desenvolvidas ao longo de uma imersão de 4 semanas e de trabalhos pré-selecionados.

 

A noite não adormecerá jamais nos olhos nossos

A exposição A noite não adormecerá jamais nos olhos nossos parte da convocatória nacional do coletivo Trovoa que visa, para além de mapear a produção de artistas racializadas, trazer o protagonismo desses corpos para o campo da arte. No impulso de investigar a pluralidade de suas pesquisas e práticas artísticas, a mostra reúne um conjunto de vinte e quatro trabalhos produzidos por dezoito mulheres de diversas gerações e diferentes trajetórias.

Nesse sentido, a exposição pretende entrecruzar reflexões acerca da produção dessas artistas, inspirando uma curadoria mais aberta, numa perspectiva de busca por singularidades individuais e coletivas. A partir dessa elaboração simbólica, derivam-se os eixos curatoriais que apontam as convergências entre as obras: a busca pela própria identidade, as violências institucionalizadas e os caminhos de cura por meio de suas vivências.

Na primeira sala, encontram-se trabalhos que elaboram experiências do corpo frente ao descobrir-se um corpo dissidente em uma sociedade hegemônica e as violências que sucedem a isso. Por meio da reconexão com o passado, seja ele de memórias ancestrais presentes em suas origens ou acessadas por meio do inconsciente – ou mesmo a partir da própria história da arte – as artistas apresentam suas próprias versões para uma história que ainda não contempla todos. Marcando a transição entre corpo material e espiritual, a imersão no azul que emerge da ferida exposta em uma parede site-specific. Ali, tal rachuda não sugere apenas o que sangra, mas também a intenção da cura a partir da reconexão com suas origens. Finalizando a exposição, a última sala surge com uma proposta íntima destas conexões, seja com o espiritual, seja pelo reconhecimento dos caminho a serem seguidos. E, para além de centrar a conversa apenas acerca desses temas, a exposição se centra na pluralidade de mídias e suportes pelos quais tais assuntos se materializam-se: fotografia, escultura, instalação, site-specific, pintura e têxteis estão presentes na mostra.

Em tempos como os atuais, de crises de representatividade, A noite não adormecerá jamais nos olhos nossos traz à tona o desejo de subverter e ampliar as narrativas a partir de micropolíticas que emergem como possibilidade de redefinir o futuro. Assim, no espectro transformador que a arte possui, tal experiência de encontros, trocas e chamamentos que o circuito Trovoa propôs nacionalmente contribuem para questionar os discursos hegemônicos que cercam, não somente a sociedade, mas também o campo da arte.

Carollina Lauriano

 

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