ramal_mixtape

Daniel Scandurra, Dora Longo Bahia, Dudu Tsuda, Lourival Cuquinha, Renata Padovan e Ricardo Carioba. Curadoria: Gabriel Bogossian

foto: “éter”, Ricardo Carioba

Em seu texto Ideia da música, de 1985, Agamben escreve que nossos sentimentos não nos fazem mais promessas: sobrevivem ao nosso lado, cansados e inúteis como animais domésticos. E a coragem – diante da qual o imperfeito niilismo do nosso tempo não cessa de recuar – consistiria justamente em reconhecer que nós somos os primeiros homens que não se apercebem de uma Stimmung, os primeiros homens, por assim dizer, absolutamente não musicais: sem Stimmung, ou seja, sem vocação.

Escombros, balbucios, monossílabos: a nossa música não nos indica um destino, mesmo que breve e frágil; estende o fracasso de uma tradição deixada sem testamento. O tempo fraco desse malogro traz também um ponto de força, uma potência; indica momentos em que uma ação resulta em conquista alguma e no entanto permanece, como eco: nosso trabalho produz vultos ou miragens; dentro do tempo forte da produção, nosso trabalho cria fantasmas.

Entre a nostalgia da natureza e do sonho (Tsuda, Padovan), os pedaços de uma tradição confundida (Scandurra, Dora Longo Bahia) e os rastros mesmos do mundo (Carioba e Cuquinha), tentamos reconhecer uma música, algo que não se fixa e contudo organiza o tempo e a memória. É a nossa única chance – contemplar outra vez o som que não nos distingue. Retomamos Agamben: Tocamos a soleira abençoada da nossa demora não musical no tempo. A nossa palavra chega verdadeiramente ao início.

Gabriel Bogossian

 

In his text The Idea of Music, dated of 1985, Giorgio Agamben writes: Our sensibility, our sentiments, no longer make us promises. They survive off to the side, splendid and useless, like household pets. And courage—before which the imperfect nihilism of our time is in constant retreat—would indeed consist in recognizing that we no longer have moods, that we are the first men not to be in tune with a Stimmung, the first men who are, as it were, absolutely non-musical: without Stimmung, without, that is, a calling.

Debris, babbles, monosyllables: our music does not point out to a destination, not even a brief and fragile one; it extends the failure of a tradition left aside without testament. The faint time in this miscarriage brings together a point of force, some sort of potency; it indicates moments in which an action results in no curbing, although it remains as an echo: our work brings forth figures or mirages; within the strong time of production, our work creates phantoms.

Somewhere in-between a nostalgia of the nature and the dream (Tsuda, Padovan), pieces of a baffled tradition (Scandurra, Dora Longo Bahia), and traces of the world themselves (Carioba and Cuquinha), we try to acknowledge the music, something one cannot fasten, all the same it organizes both time and memory. It is our only chance – to contemplate again the sound that does not distinguish us. With the word of Agamben once more: We reach the blissful threshold of our unmusical dwelling in time. Our word has truly reached the beginning.

Gabriel Bogossian

PRESS RELEASE

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ARTIST

OBRAS

ramal_mixtape – CONCERT // DuduTsuda

2013

ramal_mixtape – CONCERT

2013

ramal_mixtape – CONCERT // Dudu Tsuda

2013

ramal_mixtape – CONCERT // Daniel Scandurra

2013

ramal_mixtape – CONCERT // Ricardo Carioba

2013

ramal_mixtape – CONCERT // Ricardo Carioba

2013